Introdução: contexto curto, tese explícita
A introdução de concurso não precisa de abertura ampla. Ela precisa mostrar que o candidato entendeu o recorte do comando e anunciar a posição que será defendida. Contexto longo consome linhas que fariam falta no desenvolvimento e aumenta a exposição a erro de norma.
Uma tese utilizável tem duas partes: o que se afirma e sob qual critério isso será sustentado. "O problema é complexo e exige atenção" não é tese — é comentário. "A limitação da medida está menos na previsão legal e mais na capacidade de fiscalização" é tese, porque já define os dois parágrafos seguintes.
Desenvolvimento: um argumento por parágrafo
Cada parágrafo de desenvolvimento faz uma coisa só: afirma, sustenta e conclui parcialmente. A sustentação pode vir de legislação pertinente, dado do setor, exemplo concreto ou raciocínio técnico. Em concurso, argumento técnico costuma pesar mais que repertório cultural.
Os dois argumentos devem ser de natureza diferente. Repetir o mesmo argumento com outras palavras é o padrão mais comum de texto que fica na média: o corretor lê dois parágrafos e conta um argumento.
Como testar se o argumento sustenta a tese
Apague a frase de sustentação. Se a tese continuar de pé exatamente igual, aquela frase não estava trabalhando — estava ocupando linha.
Conectivo é relação, não enfeite
O conectivo anuncia ao corretor a relação lógica que vem a seguir. "Portanto" promete conclusão. "No entanto" promete contraste. "Além disso" promete soma. Quando a relação prometida não aparece no período, a coesão é penalizada mesmo com gramática correta.
Conclusão: retomada, não resumo novo
A conclusão de concurso não introduz argumento novo e não repete o desenvolvimento com sinônimos. Ela retoma a tese à luz do que foi sustentado e, quando o comando pede, apresenta encaminhamento — proposta, recomendação ou consequência.
Leia o comando antes de decidir o fechamento. Um comando que pede "discuta" não pede solução; um que pede "proponha" exige encaminhamento explícito, e a ausência dele desconta no desenvolvimento do tema.
Erros de estrutura que aparecem no espelho
| Erro | O que o corretor vê | Bloco penalizado |
|---|---|---|
| Tese só na conclusão | Texto sem direção nos dois primeiros parágrafos | Estrutura e desenvolvimento |
| Parágrafos intercambiáveis | Ausência de progressão | Desenvolvimento |
| Dois argumentos iguais | Um argumento só | Desenvolvimento |
| Conectivo sem relação | Coesão anunciada e não cumprida | Estrutura |
| Conclusão com argumento novo | Texto que não fecha | Estrutura |
| Parágrafo único | Ausência de paragrafação | Apresentação e estrutura |
Nomes de blocos conforme divisão recorrente em espelhos de correção de concurso. A divisão aplicável ao seu certame está no edital.
Um roteiro de cinco minutos antes de escrever
- Sublinhe o verbo de comando e o recorte do tema.
- Escreva a tese em uma frase, no rascunho.
- Liste dois argumentos de naturezas diferentes e a sustentação de cada um.
- Decida o fechamento conforme o comando: síntese ou encaminhamento.
- Só então comece a escrever — com a contagem de linhas já planejada.
Cinco minutos de planejamento custam cerca de duas linhas de tempo de escrita e evitam o erro mais caro da prova, que é descobrir no terceiro parágrafo que a tese não sustenta o texto.
Conteúdo escrito e revisado por Gabriela Marquês, professora de Língua Portuguesa e redação para concursos. Última revisão: .